
Parece suculenta aquela maçã baiana,
Descasco-a, provo-a, mordo-a… pura ilusão,
O amor é como uma maça acre, meu irmão;
A toda a boca que a não prova engana.
Quis provar esta maçã, por experiência,
E hoje, enfim, penso conhecer o seu conteúdo,
Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo,
Todas as ciências menos esta ciência!
Certo, este o amor não é o que eu imaginava, e amo.
Mas certo, é que da maçã não tenho as sementes,
Chamas amor aquilo que eu não chamo.
E de maça transforma-se em serpentes
Já provocaste o Adão no paraíso, oh! Fruto do mau,
Em sua beleza Eva sucumbiu ao fazê-lo,
Ao provar a tentação, tu pecado original,
Negando a Deus, negando a si sem compreendê-lo!
Oposto ideal ao meu ideal conservas.
Diverso é, pois, o ponto outro de vista,
Consoante o qual, observo o amor, eu egoísta,
Modo de ver, consoante o qual, me observas.
Porque o amor, tal como eu o estou amando,
É Espírito, é éter, é substância fluida que nos inspira,
É assim como o ar que a gente pega e respira,
Respira, entretanto, não estar pegando!
Para que, enfim, chegando à última calma.
Meu pobre coração esta maçã engole,
Integralmente desfibrado e mole,
Como um saco vazio dentro d’alma!”